A perspetiva de Diogo Severino, Broker do Grupo Vantagem, sobre o momento que o mercado está a viver
Grupo Vantagem
Maio 2026
5 min de leitura
Dois meses após o início do conflito no Médio Oriente, a comunicação social e os principais especialistas do setor são unânimes: o mercado imobiliário português mantém-se ativo.
Mas há fatores que merecem atenção redobrada — e que podem condicionar o acesso à habitação nos próximos meses. Com base no que tem sido amplamente reportado, Diogo Severino, Broker Owner do Grupo RE/MAX + Grupo Vantagem, partilhou a sua leitura no SIL 2026.
Sil 2026 · Lisboa
"A vida continua e as pessoas vão-se reajustando. O verdadeiro risco está nas taxas de juro — aí sim, as pessoas ficam com menos capacidade de compra."
Diogo Severino · Broker do Grupo Vantagem
O Que Está Realmente a Acontecer no Mercado
O conflito no Médio Oriente chegou ao radar do setor imobiliário português. Mas dois meses depois do seu início, os efeitos diretos nas transações são ainda quase inexistentes. O que se sente é algo mais subtil: uma maior prudência nas decisões, um tempo de reflexão mais longo, e alguma hesitação de quem estava quase a fechar negócio.
Foi esse o retrato do mercado traçado no Salão Imobiliário de Portugal 2026, realizado em Lisboa na última semana de abril. Uma mensagem que o Grupo Vantagem acompanha de perto — e que reflete a experiência acumulada de atravessar crises anteriores, da pandemia à guerra na Ucrânia.
Portugal mantém-se um dos destinos de investimento imobiliário mais resilientes da Europa
"Pode existir um pouco mais de espera, menos decisão, e algumas pessoas que estavam quase a fechar negócio recuaram para perceber o que vai acontecer."
— Diogo Severino, Broker Grupo Vantagem · SIL 2026
Esta cautela não é novidade. O mercado imobiliário reage sempre com um tempo de amortecimento face a fatores externos. Os conflitos são recentes, a incerteza é real — mas a experiência mostra que os compradores acabam por avaliar a situação e seguir em frente. Como resume Diogo Severino: "As pessoas adaptam-se."
Onde Está o Verdadeiro Risco
Para o Broker Owner do Grupo Vantagem, o conflito em si não é o problema central. O que merece atenção redobrada é o seu efeito em cadeia: a pressão sobre a energia e as matérias-primas pode alimentar uma espiral inflacionista que force os bancos centrais a subir as taxas de juro — e aí, sim, o impacto no mercado imobiliário seria direto e imediato.
2,6%
Inflação na zona euro em março
2,8%
Inflação prevista em Portugal para 2026
1,8%
Crescimento do PIB português previsto para 2026
Em março, a incerteza gerada pelo conflito já fez disparar as taxas Euribor numa das maiores subidas dos últimos três anos. O BCE optou por manter as taxas na reunião de 30 de abril, mas tanto o guardião do euro como o Banco de Portugal já revisaram as previsões: inflação a acelerar e crescimento económico a abrandar.
"Vamos esperar que não afete ao nível das taxas de juro — porque aí sim, as pessoas ficam com menos capacidade de compra."
— Diogo Severino · Grupo Vantagem
A subida dos custos de construção é outro fator a considerar. Nos últimos anos, materiais e mão de obra acumularam aumentos expressivos — uma pressão que, a par de uma eventual subida dos juros, tornaria ainda mais estreita a margem de viabilidade de novos projetos habitacionais.
Portugal Continua a Ser um Porto Seguro
Há também uma leitura positiva deste contexto de instabilidade global. Sempre que a incerteza aumenta lá fora, Portugal tende a reforçar a sua posição como destino seguro para investimento. Investidores que antes apostavam em mercados como o Dubai estão a olhar para Portugal como alternativa — uma tendência que beneficia diretamente o segmento de segunda habitação e o imobiliário de luxo.
Lisboa reforça a sua posição como destino de investimento imobiliário internacional
O mercado português tem a seu favor uma procura robusta e um défice estrutural de oferta que sustenta os preços mesmo em períodos de maior incerteza. E tem algo que poucos mercados europeus conseguem oferecer: um historial comprovado de resiliência. Da pandemia à guerra na Ucrânia, o setor imobiliário português adaptou-se — e voltou sempre mais forte.
"Acho que este cenário não nos vai afetar muito, a menos que sejamos envolvidos diretamente na guerra — e à partida não. A vida continua e as pessoas vão-se reajustando."
— Diogo Severino, Broker do Grupo Vantagem · SIL 2026
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